sábado, 31 de dezembro de 2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

mil mulheres (for B.)

junto com dedos, língua, pau
deitaste sobre mim
o afeto
em gotas, secreto
de por em dores
de se por em partes
todas que queres
mil mulheres

domingo, 25 de dezembro de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

entre as estrelas (Zwichen den Sternen)

Meu querido W,

Sinto sua falta...

Pensando em você, em não sei qual lonjura, lembrei do Rilke: " entre as estrelas, que distância! Mas ainda mais irrestrita é a distância que nos separa de uma criança, por exemplo... ou uma pessoa cara - ah! que distância infinita!". Assim ele se lamenta. A distância é a marca da impossibilidade do amor. Dessa natureza irredutível e tensional. Amor "possível", sem tensão, já não é mais amor... é amenidade, refresco. Também entendi isso lendo as memórias do Nelson, outro romântico tecelão de lamentos.
Sinto sua falta quando vc está de fato longe... mas já senti isso com vc na minha frente. Estranho? Sim, mas de alguma forma, acho que dá pra intuir... Tem um mistério (uma transcendência) na relação amorosa, que bloqueia a visão, o mais poderoso dos sentidos pra se conhecer o mundo (segundo Aristóteles). Então, vc não se dá a conhecer, pra mim, por mais que esteja perto, que fale... O que sei de vc, vem pelo sentido do tato, da olfação, da sensação térmica, da propriocepção e da dor. Sim. Por aí sei da imanência do amor, dele ser feito de fricção e contato, de beijo e posse. Coisas bacanas, mas que vão passar. O resto, o sobrenatural, não sei. Não sei que é, mas fica. Fica nessa saudade bem aqui, olha... lá...

Lá no céu e no cume das árvores natalinas... estrelas

Bj, amor

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Só miragem

queria. quero sim
teu corpo sobre o lençol desfeito
e o meu
no meio a abertura tenra doce
possuída
depois essa imagem (e o ruído
turvo de elefantes)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

le souffle au coeur (um sopro no coração)

queria te tocar com carinho
queria te alisar com um soprinho
do coração. alíseo. mas não.
do fundo do abraço do ventrículo
rápido. ejeta. ejaculação

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

porta retrato

as samambaias no muro
rachado
o mendigo jogado
sobre o lixo deitado
na viela
chego e abro a janela
encaixe preciso
porta retrato

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Corpos celestes

Tu, respiras em meu cálice. E eu, me abandono ao meio.
Daqui da Terra não tem nada igual.
Tens doçura pelo rosto, baby... Deixo minha vontade te absorver...
Dizes "Tudo!" Então é gol, é try, é carnaval. Multidão e os pelos da tua nuca. Pra cima e pra baixo. Gravidade. Flutua a minha doçura, a minha, sua... minha mão, ou a sua?

Até a noite chegar, até o sol se apagar, nesse dia e no próximo, e no próximo do próximo, aproximadamente.
Aproximam-se nossos corpos celestes...

lovestories - abstract

então me apaixonei perdidamente naquele dia porque tinha alguma coisa errada em vc. aliás não, ao contrário, tava tudo errado com vc, só seu email, cara, só isso, tava certo. (e a hora da aula) depois disso foi assim: vc situado no castelo, e eu perdida no fosso. a colher rosas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

novas aventuras da mariposa estrábica

pode voar (e voa!)
não sabe onde pousar
deita-se no meio-fio (e sonha)
dez segundos antes
da enxurrada jorrar

domingo, 13 de novembro de 2011

Plano de vôo

Suo, escorro,
exalo. Leve.
Tu, respiras em meu
cálice.
Suave, repousas.
(O plano de vôo não incluia ser uma mariposa.
Estrábica.)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

as capuchinhas

para elas
diademas e diamantes, diáspora
eterna pra sempre durar
para mim, Diadorim
as capuchinhas,
lilazes, meus lábios entre os teus
jazem, já sei
de 24 segundos
de vida
pois que vida (intrauterina)
e suave, seiva, queima,
sofreguidão

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ciúme

amor,
tá na minha mão
tá na tua mente
mente, diz q me ama
escorro a dor
escondes o controle
(remoto) na casa vitoriana

posso, a que horas?
posso e vou
acredito na tua língua
quando ela não diz

sábado, 29 de outubro de 2011

O Nome da Rosa

Disseste. Meu nome
nômade, dada uma intensidade, de boca
sorvendo, abrasando, cada gota
E a Rosa?
A rosa sou eu. Eu...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Aristóteles em quadrinhos

Meu querido W,

Acredita que eu entendi Aristóteles num sonho?

E no sonho era assim: um campo com mato alto, a luz amarelo seleção canarinho, precisão ultrarrealista dos contornos dos corpos se mexendo, da mulher deitada, digo de suas coxas que as coxas fortes do homem afasta. Com a saia da mulher um pouco levantada, logo avista-se seu sexo, de um rosa chiclete lambuzado de saliva, brilhante. O membro do homem procurou a entrada e achou, vai forçando um caminho. Ele afasta mais as coxas dela, que cede, depois de resistir um pouco (ou se assustar?). Ouço os gemidos de ambos, randômicos no início e depois mais coincidentes, na medida que o ato se acelera. A mão da mulher, pequena, de um branco exsangue, procura a do homem, faz sombra na luz, acha os braços e boca dele. Não vejo seus rostos, apenas sei (de antemão) que a mulher sou eu e que aquele vulto masculino na minha frente é você... acordo.
E fico feliz, baby, por ter sonhado com a gente, transformados em personagens de cartoon, em pleno movimento... (resistir aceitar forçar procurar). Sem saber o que nenhum dos personagens pensou ou sentiu. No fundo sem ligar a mínima pra isso... O ato é a expressão das nossas vontades, é uma síntese... é o que importa e é bom demais assim...

Te espero, amor, te aceito

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Feras - versão para o blog

olhar bovino para entender-te
dentes caninos para rasgar-te
língua de anaconda
pelos de onça para atritar-te
e mucosa de macaco para aceitar-te
e te envolver (em segredos)
lista infiel
de todas as feras que trago em mim
como deleite e doce
armadura
amor,
armadilha

sábado, 15 de outubro de 2011

Le sublime

o sublime existe, o êxtase está aí
ou bem ali...
aparece de quando em vez
(quem foi que fez?)
de natureza não dura
mas segura
num filamento (actina-miosina e troponina)
as batidas do mundo,
esse deserto

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Message in a bottle

se por (a)ventura ou por graça
chegares-te a essa carta
saiba
que atravessei o Cabo
o Sul do mar
cheguei-me a ti aquela nuvem
meu beijo e minhas mãos
e escorro
gotas, garoa,
...........(tua) garota

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Marés

frio de vento e calor do sol,
queimam,
o desejo de horas, minutos
esticados,
numa cama encontrada,
no fundo do saguão,
abriu a porta,
te beijo, o corpo rijo e
vão, subindo as marés...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pra ti, Anthony

meu roqueiro favorito tem
mais de 50
marijuanas,
punhetinhas, putinhas no
(pensamento de) quarto de hotel five
stars
(tua mão tão lisinha, W.)
tão upper class
forget
my prayers
nos meus joelhos, o prazer
de abocanhar-te
e o reinado das rosas

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"Fica!"

Meu querido W,

E aí quando adormeci fui ficando molinha e me desligando, ouvindo cada vez mais a respiração, depois um zumbido. O tal zumbido coclear. Depois de gozar sempre ouço isso muito forte e então logo desmaio por uns minutos. La petite mort, como dizem (a pequena morte). Será a morte barulhenta?
Hoje percorri uma avenida feia e barulhenta. Coisa de uns azulejos antigos. Parei num cemitério. Repara que até os azulejos morrem. E depois ressuscitam numa outra casa, pra outra vida, sem memórias da anterior. Memória.
É isso. Pra não perder nenhuma batida de coração (do teu peito colado ao meu), não deixo a "petite mort" me pegar, roubando a memória. E sigo te querendo mais... dentro... misturados, pesados. Memória é afeto. E o teu fica... "Fica!"

Bj, meu lindo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Exposed

exposta, a flor delicada
secreta
sucos, facilita
a entrada de insetos
de longas pinças e ganchos
cinzentos
e, canina, menina,
deglute, digere e defeca

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Era um domingão

Meu querido W,

Quanta beleza posso aguentar em 1 dia? E vc?
Trepadeiras amanhecendo com flor e perfume, um mosaico de PET colorida que a enxurrada dispôs na baixada, depois uma maria-fedida verde fosforescente do tamanho da polpa do polegar, dá pra suportar? E tudo isso no calor do sol, de short e brisa gelada na nuca, como te contei que pensava. É mais, baby, e a gangorra quase encosta no chão da felicidade...
Mais ainda se fosse eu a trepadeira, lânguida e vc, o muro sólido. Eu, toda enroscada e oferecida e vc, rugoso e absorvente. Então mais eu quero, mas não conto. Sussurro pra brisa, que leva contos e beijinhos até vc.

Saudades de ti...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A boa anfitriã

Meu querido W,

Vc conhece esses dois?

A vontade era lhe dar um tapa na cara. Sempre atraso, sempre os outros. Saiu-lhe uma mordida na lingua. Mas foi no primeiro beijo, o de acolhida, o da boa anfitriã. Que, como sói, abre logo as portas, digo as pernas, enquanto ele afrouxa o cinto e permite a saída do lento e majestoso pau. Entre testar sua umidade e provar seu gosto na ponta do dedo médio foi o tempo de um gemido e uns dois beijos no pescoço, sentindo o frêmito de lábios, daquele volume túrgido nos seus pelos, de mãos (as suas próprias) procurando as dele, sua cabeça que se inclina e seus joelhos que se dobram. A boca que mordeu se abre pra lamber e chupar a pica do homem... Poderia haver vingança melhor do que reter suas bolas entre seus dentes? Não. Ele treme, quase grita. De dor? Mas ela já não o quer machucar... Prefere continuar sugando-o enquanto oferece toda sua vulva, suas entranhas para que as penetre uma lingua viva e molenga. Que as raspe uma barba de alguns dias. Imagina a paisagem que se lhe descortina: o cu. O olho naquele cuzinho espremido. E se... Depois ele toma conta do jogo, e a penetra de frente, depois de quatro. O poder de antes. O poder do esfincter cede a coxas portentosas, mãos que aprisionam esse desejo de quadris se chocando: "Foge, não", ele ordena, mas com a doçura da veia já embriagada de prazer... Ela aperta o soalho da pelve, o mais que pode... ele goza rápido então. Mas ela o quer ainda, suado, um tanto desmaiado, pesando 96 sobre seus 47 kg de pura franguinha, arfando de tanto beijar seu pescoço, de esfregar suas costas, quase chorando ao tatear pálpebras, cílios adormecidos: "Oi, meu querido, que bom que você chegou... Te amo..."

Bj, te adoro...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

7 de setembro

escrevi um poema na folha
de árvore

de alegre levei com água
lavei com lágrima
sequei com tremura (meus dedos)
beijei com fissura (tua boca)
te quis na nervura
tenro, suave, teso

enquanto passa (quieto)
o feriado na praça

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Cama de gato

Pra ler muito rápido: "cama de gato/ cama te cato/ gama de gato/ grama de grato/ prano de prato/ pano de pato/ goma de bato/ goma de barato/ gosto de rato/ foge! do gato!!!

Com minhas parceiras Sofia e Jac...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Teu nome

Teu nome não escrevo
Desenho 2 facas, gêmeas
Ouço 2 aliterações de ratos
(que roem)
no meio, o n de nada navega
divaga, vagueia
Tateia
meu corpo de sons, choques
e luas cheias
Teu nome entra
cria gotas de suor
(e dores)
pele de amor e rima
Fina e leve (eu por cima)
densa, encaixo (eu por baixo)
Teu nome entrou, cortante
- e a neblina

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

bisonho

pois esse amor é assim, belo aos trapos,
aos traços (de audiência), ninguém nem viu (nem pode ver)
o amor escondido no segundo andar (do motel)
no terceiro molar (que já devia ter arrancado), do sizo
no quarto de paredes sem juízo
onde uma cama é um ringue
tem um amor de macaco
(cheiro gosto e tato)
como e entra o mundo, entras tu
meu amor bisonho
e dizes: duas vezes sonho...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Só hoje

Que demore
o que mora em mim
e não morre
o tempo da chuva:
as primeiras gotas, as do meio e as do final.
Só hoje.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Primatas

Meu querido W,

Se a gente fosse bicho, qual seria? Eu estaria viva? E vc?
Seríamos macacos-aranha, negros, de longos rabos? Ou doces muriquis ruivos? Eu teria uma cauda mais clara, grandes dentes, olhos acinzentados, e vc? Como te reconhecer?
Vc viria para meu bando ou eu iria para o teu? Vc me cheiraria antes? (Sim, macaco tem cheiro, não tem perfume!) No sexo, aonde mais? Eu fugiria pra bem longe, bem alto? Ou deixaria vc me pegar e me tomar completamente... na segurança da terra firme, sob os olhos dos outros, com um sorriso no rosto, só meu (já sou mulher? ainda não)... Então... cópula de quatro, sem beijo na boca, sem camisinha... já pensou? Respiro, vc pouco, geme, ainda...
Cansaço... volto pra casa, mas se for muito tarde, volto não, medo... fico naquele ramo, um pouco afastada dos outros, não sou dessa turma, alguns gritam, vc me olha de um enxergar tão negro... A noite.
Acordo faminta, vou descer... cadê meu rabo? Escorreguei, ralei a perna, e meu pelo? Agora desvirei, sou mulher de novo... Acordei tarde (sapiens... todos preguiçosos). Eles já se foram... Vc foi também, sua sina... Canoa, rio, a outra margem, o sino... Vou remando, agora lembro, vc é o de pelos cerrados, mas muito macios, alguns grisalhos, no peito, o olhar muito escuro, uma censura... ou quase. Engulo o café com minhas palavras perfumadas. Meu canto aqui é meu cheiro lá, na tua floresta. Vem me buscar ou... a última a chegar... é mulher do macaco!

bj, amor

terça-feira, 16 de agosto de 2011

graça

não
quero ser demais
nem de menos
dos mesmos 2 tic-tacs
nem pesada nem leve
suave, suada, sinuosa
sim
a graça on call,
plug and play
a ready made
no toxic waste
uma crina solta, ainda precisa
pra muito desafinar
a falsa modéstia
de tanto (te) querer

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

o que sou

bem não sei
o que sou
num átimo, palavra
num átomo, esquecimento
daqueles corpos graves
em movimento, precoces
execuções de sinfonia
íntima, roubo dobras
da tua pele iluminuras
de segredos, serpente
atenta e sensível
recolho em mim
de ti branda força
terna, o que sou
bem sabes

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A day in the life

Meu querido W,

Te conto, meu day in the life, mas não tudo... e vc não me conta, mas não nada. Nada pra perder de manhã, saindo atrasada, sem fazer a barba, esquecida dos anéis, da mochila de treino, sem amarrar o All Star... Chega e deixa o carro prata avec le valet, sobe e tomo a pílula de ficar lisinha, rosa by the way, vc olha seus juniores e se distrai, sou a rosa e o "sangue bom" então me comporto, me conforta vc no seu castelo, enquanto isso no forte Appache coloco máscara e luva, será que vai dar tempo? Vc voa alto rio Pinheiros and beyond, voo baixo, por entre as sondas, os eletrodos, perto da matéria humana mas nem tanto, já descubro, o lençol: na maca somos todos iguais... Tubo 8,5... ventilou!

Iguais ou diferentes, vc e eu?
Sem rotina, iguais... Vc dentro de mim, diferentes... Então não sou mais eu...
Seriam forma e substância (Aristóteles) ou uma clareira (Heidegger)? O que é? E o que será?

Um bj, de amor físico e metafísico

domingo, 31 de julho de 2011

a última flor de aço

meu querer de vc é inculto
(de erros) do português crasso
a flor do último Lácio
aço ou
uma torrente cálida
hélices de feixes de cabelo
(e tuas mãos neles)
meu querer é mole de me molhes
de saliva (e porra)
é quietude, enfim
no fim dos pousos e decolagens
(dos teus quadris nos meus)
em aeroportos suburbanos
soberanos, nossos corpos
vc, meu querer, num copo

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jam - contato

te escrevo como pés são feios
e mãos são lindas
nossas mãos e pés irão
no vão da minha pele
sulcar
no vagão da minha alma
sugar
naquele lugar roubado
- o entorno do amor
onde cabem vc
e eles

terça-feira, 19 de julho de 2011

arquipélagos

arquipélagos de sentimentos
sulcos, bocas, vulcões
em erupção, - um acidente,
babulciei, branca e babuína
registros térmicos
sísmicos de sensações
- aconteceu, prenunciei
vem água, vem dilúvio
cobrir a terra
abalada
vem, que sou eu

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Babel

falar atravessa
e atrapalha demasiado
o desmaiado
(de me entre-me-ar, em vc)
às vezes componho
e entro de Babel
nas línguas e demoro
pra melhor
me perder
no labirinto do teu
mel

segunda-feira, 4 de julho de 2011

da menina

beijo sorriso
abraço
rio lagoa
mar
te espero


(escrevi com 15
esqueci por 25
lembrei, voltei
pra mim?)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

meu lugar no universo

sou sua de estourar
(champanhe)
sou sua de me ninar
até o caco
do último instante
topo, claro que eu quero
estar no seu topo
(cereja do bolo)
meu lugar no universo

sexta-feira, 24 de junho de 2011

parkour

Meu querido,
é estranho...
não caber em si
ter uma seta que aponta pra fora,
dispara, parkour:
prédio, antena, avenida, vidro
vara meu corpo
delgado.
O fazer: vai e vem
empurra e derrete
boca buceta colhão.
Tiro. Molhado.
Respiração.
Só os sentidos fazem
oração.
Isso e,
no seu ouvido:
"meu, amor!", digo

quarta-feira, 8 de junho de 2011

I have a dream

Meu querido W,

Tive um sonho. Não o do Martinho Lutero, o "King".
E vc tava lá...

Dentro de um quarto sem móveis, o escuro preto petróleo, denso. Debaixo da janela aberta, uma noite sem perfume. Encostados na parede, eu e vc, sentados em X... Eu sentia dois olhos me espiando, como o coração enterrado no assoalho do Poe. Sentados no chão, vc sem roupa. Encostei o joelho no teu peito. Minha mão deslizava, fazia voltas, giros, entre os pelos, ganhava a pele fina dos mamilos, insensíveis também aos meus lábios. Como aquele coração que insistia em bater, eu sentia o perigo, mas ia em frente... Beijava tua boca, vc me segurava mais forte. Enlaçava teu quadril com minhas coxas num abraço do Tantra, vc parecia tão doce e concentrado, testando minha umidade, segurando o tesão, esfregando. Vc me penetrou, duro, e eu lambia tua orelha. Vc tinha um buraco enorme no lugar do ouvido, baby. Não estranhei aquela gruta reticente. Ao contrário. Eu tinha fome, tinha sede, vc estava em mim, e eu dizia (nela) segredos.

Acordei, lembrei do conto do Edgard Allan Poe, não achei o livro... Pensei muito em vc... de quem era aquele medo?

Bj, meu amor

Impermanência

os prédios se inclinam
o vento me leva
- e as nuvens

penso o que parece
o que sinto não é
o que fica não será
- teu corpo e o meu

como os peixes
que nos fitam
- as bocas abertas
através das janelas

quarta-feira, 1 de junho de 2011

bolhinha glub glub

amortece (lenda)
amortímidoregato (lente
de aumento
)
dogozoteu (nome)
viroucorrenteza
tenradissolvome
(bolhinha glub glub)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

dia dos namorados

se abres uma flor
sem remorso
me mordes de pensar
meu carnaval derrete
tua pele
teu sábado promete
na minha boca
cinema, beijo, sorvete
selo
guardo tickets, marcas de chiclete
lembranças
de boquete

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A 6 km - tradução

A seis quilômetros (de você)
Às seis horas (aproximadamente)
o meio ambiente
(é uma causa
é tão contido
nobre)
e então eu espero
é tão estranho
ouvir
tua voz

(meu gato cinzento ou meu entristecimento)

terça-feira, 24 de maio de 2011

A 6 km

A six kilomètres (de chez toi)
At six o'clock (environ)
the environment
(c'est une cause
is so refrained
noble)
et puis j' attends
how odd
it is to hear
your voice
(mon chat gris ou mon chagrin)

sábado, 21 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

"deixa, vai..."

teu brinquedo
é meu silêncio
teu recreio
é meu consentimento
com meu sentimento
cada teu centímetro
vira céu

domingo, 17 de abril de 2011

Casa própria

Meu querido W,

É duro escrever na saudade. Mas também é doce, que nem rapadura. Que nem rapariga. Sou eu, voltando pra casa...

As horas passam. As mensagens vão se acumulando na caixa de entrada. Amigos queridos, besteirol do Face, irmã, Sofia, shit from work... A quantas linhas-hora está a sua última mensagem? Vai se afastando...As outras eu leio, respondo e deleto... Assim vc tá por perto de novo.
Tubo, cateter, PAi, visita... quero checar o e-mail, quero voltar pra casa. Minha casa é como a do Chico: "tijolo por tijolo num desenho mágico". Tão sólida quanto o beijo que eu sempre roubo quando a gente se despede ou enquanto a gente se despe. Um fenômeno, uma aparência... Será que existiu mesmo? Quem dá conta dele? Melhor perguntar quem conta esse beijo... e tudo que vem antes e depois. Eu vou contando, mas nào tudo, só 1 tijolo, de cada vez... Uma perna que se abre, a lingua numa dobra macia, uma pegada no quadril, uma virada, um gemido, uma respiração funda, o "fica!" e um beijo na testa. Um riso maroto.
Fico relaxada e aberta quando escrevo as histórias, assim vou voltando pra casa. Deixo a porta aberta, proseio, invento e assim não minto nunca. Tô perto do meu desejo... será essa a minha casa?

Bye, baby, te adoro

sábado, 9 de abril de 2011

Papo bíblia

Meu querido W,

Pra quem era materialista, pra quem foi racional... tantos enigmas...
Dito assim nem pesa... pelo menos não mais do que 2000 páginas de papel... bíblia

Como este enigma aqui. Vc viaja, eu fico. Vc trabalha, eu trabalho; cada qual cuida da sua família, dois mundos que tentamos protejer, cercar... Mas quem me proteje? Cadê a cerca que me impede de vagar a alma em claro, de te querer em sonhos, de captar um deslocamento, de construir uma ponte estaiada de névoa, de não entender a distância, de não entender tampouco esse desejo de proximidade. De reentrância. A razão, antes tão sólida, agora uma luz macia, carinhosa, agoniza nesses ângulos... dos teus olhos e dos teus lábios, desse triângulo entre as coxas, um leve estouro de rojão no céu da carne. Onde quero estar e brilho.

Te beijo
como a ti mesmo

sensation

an invisible scream
tied me in
the scent of your skin
the waves of your hands
the burst of my hips
the only honorable truth

salvation

eu beijo
de língua, sem jeito
(e entro sem defeito)
ali no teu céu

terça-feira, 29 de março de 2011

Before antes

Antes de eu nascer, vc vai me colher
(de colher)
Antes do sol
Do primeiro avião
Do berro
Do primeiro latido
Da primeira descarga
Da minha alma, só salva
só lavada, sua íntima
papel bíblia
e flor do asfalto

um beijo
como a ti mesmo

quinta-feira, 24 de março de 2011

Aguapé

tinha muito aguapé na minha roseira
tem muito espinho no meu caqui
meu amor não é de carreira
fica avião planador
dor e bagaceira
dia seguinte sou nem quem me vê
quem te viu, quem te quis
queria meus nos teus
olhos, abraços, quadris
e ainda quero
e não me sói no universo
ser feliz

terça-feira, 22 de março de 2011

margem de manobra

por onde vc anda ou sobrevoa ou sobrevive
tem uma margem pra chegar?
tem um abraço de mar
manobra, mão que
encosta, pra escalar?
subo o sentido, pra alcançar
é vc sou eu
e o desejo

quinta-feira, 17 de março de 2011

Baby sem-tempo

Meu querido W,

Acho q vc tá pilhado total! Super mega sem tempo...
Mas, olha, baby, o tempo é a aparência móvel da eternidade. Quem falou foi Platão. Então toda nossa experiência é ilusão.
Até eu te beijando, até vc me querendo, tirando minha roupa rápido, eu não falando nada, pra dar mais "tempo" de te curtir mais...
E depois termina, é um bem escasso. Mas é um bem. Talvez o real mesmo seja só esse bem, que é a vontade de estar junto. O afeto.
Entrei na filosofia pra isso, pra entender os afetos. Enquanto eu dizia isso ao professor, ele já se ria:
"- Vc... aquela cabeluda, que chegava atrasada, sentava no fundão e ficava perguntando...
- Hã... (baixei os olhos, bati a ponta do pé no chão) é, sou eu...
- Então vem pro curso da pós.
- ????
- E pode continuar perguntando..."
Então, se temos uma essência, ela é transitória, inconstante, como o afeto. Um movimento, uma possibilidade, nada concreto. Isso já foi Heidegger. Não sou objeto do real. Vc tb não. Só uma vontade de, um querer, um afeto, que te toca e depois se afasta.
Deu "tempo" p/ ler?? Não? Deixa eu dizer então pra vc, olhando pros teus lábios, e depois vc me beija, me amassa, se livra do resto da roupa e entra em mim como droga, acende meus recônditos, e eu viajo por 36, 48h... De novo, o tempo.
A cicatriz da existência?

Bj, te adoro

terça-feira, 15 de março de 2011

Razorade

Razorade
Use it to gaze
Into your own head
For children's sake
Wrap it up
in blood and waves
Leave it to the wolves
on bus stops
and school days

sábado, 12 de março de 2011

Lugar comum

Meu querido W,

A primeira vez a gente não esquece. A frase é um lugar comum. Será comum de corriqueiro ou de familiar? E por que repetimos? Precisamos voltar pra lá... será por que nos é familiar? Acho que não. Voltamos por que esquecemos algo...

Naquele dia vc não tinha esquecido de nada. Nem do terno, nem da camisa e nem dos sapatos e das meias. E eu... perdida... fora do lugar comum.
Pra disfarçar, comecei a catar brinquedinhos no chão.
Então... encontrei com os meus joelhos encostados no assoalho escuro, redondinhos, as coxas brancas saindo do shortinho. Achei bonito. Percebi q vc olhava pra mesma coisa. Ia gostando daquela mulher doce e submissa, sensual sem saber (virginal?), uma gueixa sem o treino e o kimono.Qual de nós gostava mais dela?
Entre o receio e o gosto recém adquirido pelo jogo, optei pelo último. Levantei ágil, virei de costas, caminhei até a estante, estiquei o corpo... Podia sentir teu olhar me encaixando, calcanhar, cavo dos joelhos, coxa e bumbum. Comecei a respirar fundo e podia gemer lá mesmo, encostada na parede, só desse olhar pousado de desejo.
Dali a instantes quando tua lingua me lambia em ondas, primeiro na boca e depois no sexo, foi tudo fácil, minhas pernas se abriam ao redor da tua cintura, tirei a blusa, teu pau me rasgava, teu peso e teus pelos a me afagar... Vou me afogar... Demorou, não, ficou rápido... tenho medo, mas quero vc demais, dói, entra mais fundo, me machuca, me abraça, sou tua... não sou de ninguém.
De onde foi que aquela mulher, de certezas, que virou menina e se tornou mulher, de nudezas (uma outra, uma qualquer)?

Voltei pra pegar o que eu tinha esquecido: 2 olhares e um par de joelhos

Um bj, baby

Maritaca

maritaca na manhã miúda
pia (de louça) aguda
aguada (vento e chuva), muda

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pick me!

Meu querido W,

Vc abriu sua caixa postal. Entre tantos mails oferecendo coisas, pedindo oportunidades, cobrando deadlines, decidiu ler este. "Pick me!" cintilam as letrinhas em negrito... Elas balançam na sua frente... São só letras. Não pedem coisa alguma.
"Qual será a literatice da vez?", vc pensa, mas cede à curiosidade.
É, moço. Hoje não tem poemarmelada, (tem não, sinhô!), não tem microconto erótico, só tem eu pensando: "why did he pick me?". Ou deveria fazer a pergunta the other way around: "why did I pick him?" Whatever... maybe nobody chose anything. Não escolhi gostar assim. Mas quando vc veio já estava tudo lá. Então lembrei de quando vc me beija na testa depois de tremer e se jogar em mim, de gozar se despejando em mim, esse rio. O beijo quase fraterno serve pra cortar o tesão? Pra fechar o parêntese do amor físico? Um amor q só existe no contato... e na cicatriz. "Pronto, acabou, não foi nada..." "Nem doeu, baby", tento fingir indiferença. Não sou atriz, então vc sabe... q me faço desejo, me faço memória, tremo de medo, feliz, pequena, sensível, flor de jardim, perfumada e cintilante: "Pick me!"

Bj, te adoro

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Love, de Beatriz Milhazes

I. O amor são contas
todas pequenas
enfileiradas
organiza e explode
São contas grandes
números primos
explode e se desloca
escorre e ilude
Me chama, é fogo
é ouro
Acendo, aceito, o afago
estás dentro de mim

II. Tão baixas as nuvens, hoje
e suaves
Então toco
tua aragem

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ecstasy

Sweat dreams, baby
goodbye
marmelade and lemon pie
that was a joke
thousands of others,
till we choke
lullabies and tangerines
laughter, lust and lie
down next to me.
Ecstasy

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sweet dreams

Meu querido W,

Quero adormecer devagarinho... hj não teve teu abraço, então vou pros braços de Morfeu
Que coisa de museu!
Não, não começa assim... Baby, hoje fiquei muda, fiz minha primeira pergunta filosófica: porque o filósofo escreve?
Se trocar "filósofo" por "escritor" ou "poeta", eu saberia responder. Aliás o Rilke já disse: se você fosse impedido de escrever, morreria? Se vc respondeu sim, demorou, já era...
Mas a minha pergunta mesmo, o professor não respondeu... Só disse assim: aonde vc pretende chegar com isso?
Hmmmm... Disfarcei com cara de moleca. Pensei: pretendo chegar o mais longe possível, o mais perto improvável, o mais sensível intocável, o mais belo impraticável: teu coração.
Mas só pensei, e com meus sonhos encerro: hj não teve teu abraço, então vou pros braços de Morfeu

Bj, ... sempre

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Dodói

Meu querido W,

Como tá seu dia hj? Vou ensaiar...
Acordou. Foi passear com a pit bull. Passou pelo lago, foi ver a casa nova, voltou. Tomou café, jornais, banho. What the hell? Internet. Qualificação. Almoço. + bichos. Passou a mão pelo rosto... q barba é essa? (Te digo: esfrega ela em mim) Dúvida existencial, passa muito rápido: o que vai acontecer comigo? Viu? Passou. I have everything figured out. Internet. Responde os mails, o meu incluso. Pensou em mim.
Tb pensei em vc. A primeira lembrança é sempre assim: vc muito perto, aquele primeiro abraço, teu lábio inferior se abrindo, minha respiração funda e depois fecho os olhos. Tá começando... Os músculos da pequena pelve se contraem e relaxam, aperto e seguro, é mais gostoso desse jeito.
E vc? Quando pensa em mim, no que vc pensa? Em que parte do corpo? Vou ensaiar... Acho que, de longe, são as pernas. Um desenho, uma cadência. Pernas de mulher são música, diáfanas, só encantamento. Não são pra comer. Aí de perto, vamos ao q interessa! Bom... eu não sei. Nunca percebi vc fixando o olhar em nada... Vc disfarça? Vou chutar então: a boca. Boca é oásis e portal ao mesmo tempo. Das delícias.
Mas, posso ter errado feio... Me corrige?

Bj

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Wenn es passiert

if it happens
when will it be?
and then, what?
delight, roses and stream
they all passed me by
I opened the window
to the winter night
I'm a beggar, a fool, a narrow sighted
story teller
to the unwise

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

se não for

se não for (amor)
o que será?
e se for, vamos olhar
pra trás
com vontade
do que poderia ter sido
meu amigo? meu amante?
meu querido
está ferido, abotoado
à corrente
(não é pra sempre)
vc me sente?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Um presente

Meu querido W,

Da última vez (como de todas as outras) tinha uma escada. Não queria nunca que ela terminasse. Assim que vc me tomou, de leve, mas de surpresa, sua boca ia roçando meu pescoço, e eu ia subindo devagar, pode me comer, eu pensava. O mundo acabou. Aqui mesmo... Só tem esse calor, do teu corpo, um passo lento majestoso, essa língua nas encostas. Subimos. Me morde, quero te beijar, também quero te chupar. Tudo isso e teu pau duro. Abri a porta, vc abriu a calça. Inventa uma desculpa pra eu ir lá e te pegar. Parte do jogo, tira minha roupa pra eu ser tua. Minha língua tua pele. Muito excitado (s) naquela primeira jorradinha, (docinha, provei e vc nem viu), vc queria embaixo eu queria por cima. Parte do jogo, quero te olhar enquanto vc me fode. Vc olhou, tremeu, várias vezes, depois beijou minha testa. Acabou a festa. Não queria nunca que ela terminasse.
Tudo isso passado. O passado na ilha de edição da memória. O passado já era e o futuro ainda não foi. Então só temos o presente. Meu presente. Te escrever. Vc aceita?

Bj em ti

de barco no Pantanal

sou tão pequena
me sinto grande
nesse horizonte vasto...
e já não me basto

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Casinha

Tenho palavras de montão
(pra te cantar, meu belo)
E gosto de brincar de
casinha, na moradinha.
Não corte tão rente
(vc não sente?)
minha onda, meu cabelo.
Então sou feliz.
Pra sempre.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Chuvarada (versão pro blog)

Oi querido

Ontem vi o começo da chuvarada. No cimento quente do jardim as primeiras gotas caiam, pra logo depois evaporarem, virando sensação de umidade. Sempre gostei desse momento, tranformação física ou mágica, o que seria? Refazendo a pergunta, o que é melhor que seja? Se fosse eu e você, seria eu, fervida, te recebendo e querendo mais... Amor físico ou sonho?
O cheiro acre de terra molhada fica batendo no rinencéfalo: menina chica-chica, enxurrada, barquinho de jornal, fugi de casa, vi a correnteza de perto, velocidade, sucção, entregar (o barco), tragar, estragar (o barco afunda). Temporal em curso, eu mulher já grande, rio da pequena aventura, gosto demais do rio da entrega e da arrebatação, sonho de corpo molhado, de sim, eu quero. Depois da chuva, alcanço a margem lá pra baixo, ficou firme? Veremos...
Cara, a natureza fala... e tem minha voz...
De sereia tua,

Bj, te adoro

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

pé de moleque

abro um envelope estranho
não meço mais o tamanho
do meu coração
fruta caramelada
do calor de tantos olhos
atentos, de pés de moleque

domingo, 9 de janeiro de 2011

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

On the road (versão para o blog)

Na estrada, dirige-se. Paisagens digeridas de cartão postal, favelas. Celular no viva voz, horário pra chegar, muitos assuntos pra resolver, são como caminhos em paralelo, percorridos simultaneamente. De repente... vontade doida de fazer xixi. Ups! Pára-se no acostamento, olha-se pros lados, saindo do carro (...), ai que alívio (ou delícia? xixi dá aquele arrepio nas costas...). E por que não? Pode ser...
que eu saia detrás de uma árvore, pode ser que vc me pegue pra si, me vire de costas, me beija, eu gosto assim e tire minha roupa. Eu tiro teu pau (uma seta apontada pras estrelas) pra fora, espera, ele é lindo...Que estrela, meu, é dia! Ninguém vai ver, quero gozar na tua boquinha, eu também quero, hmmm gostoso, me beija de novo... O alarme tocou 4 vezes,
eu vou.
Entra-se no carro (vlamm!) e segue-se mainstream.
E quanto amor é pouco, e quanto amor é muito? Pequenas superfícies, gestos delicados de um filme de ação.
Muito bom, corta!

Beijo em ti, que sinto nas minhas mãos

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

sonho

sonhei-me
nos teus braços
em beijo
cruzados assim
assustados!
(somos vigiados)
ainda assim demorados
(meu olho teu joelho minha mão teu peito)
e respirados
delicada minha boca
no teu ouvido, rompido
canal de intrépido lambido