domingo, 17 de abril de 2011

Casa própria

Meu querido W,

É duro escrever na saudade. Mas também é doce, que nem rapadura. Que nem rapariga. Sou eu, voltando pra casa...

As horas passam. As mensagens vão se acumulando na caixa de entrada. Amigos queridos, besteirol do Face, irmã, Sofia, shit from work... A quantas linhas-hora está a sua última mensagem? Vai se afastando...As outras eu leio, respondo e deleto... Assim vc tá por perto de novo.
Tubo, cateter, PAi, visita... quero checar o e-mail, quero voltar pra casa. Minha casa é como a do Chico: "tijolo por tijolo num desenho mágico". Tão sólida quanto o beijo que eu sempre roubo quando a gente se despede ou enquanto a gente se despe. Um fenômeno, uma aparência... Será que existiu mesmo? Quem dá conta dele? Melhor perguntar quem conta esse beijo... e tudo que vem antes e depois. Eu vou contando, mas nào tudo, só 1 tijolo, de cada vez... Uma perna que se abre, a lingua numa dobra macia, uma pegada no quadril, uma virada, um gemido, uma respiração funda, o "fica!" e um beijo na testa. Um riso maroto.
Fico relaxada e aberta quando escrevo as histórias, assim vou voltando pra casa. Deixo a porta aberta, proseio, invento e assim não minto nunca. Tô perto do meu desejo... será essa a minha casa?

Bye, baby, te adoro

2 comentários:

  1. "que a saudade dói como um barco
    que aos poucos descreve um arco
    e evita atracar no cais"
    =(

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  2. a saudade dói, q não se pode evitar... e a saudade sói... e vai soer até soar o apito... até soprar o vento, trazendo um novo barco

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