Meu querido W,
Sinto sua falta...
Pensando em você, em não sei qual lonjura, lembrei do Rilke: " entre as estrelas, que distância! Mas ainda mais irrestrita é a distância que nos separa de uma criança, por exemplo... ou uma pessoa cara - ah! que distância infinita!". Assim ele se lamenta. A distância é a marca da impossibilidade do amor. Dessa natureza irredutível e tensional. Amor "possível", sem tensão, já não é mais amor... é amenidade, refresco. Também entendi isso lendo as memórias do Nelson, outro romântico tecelão de lamentos.
Sinto sua falta quando vc está de fato longe... mas já senti isso com vc na minha frente. Estranho? Sim, mas de alguma forma, acho que dá pra intuir... Tem um mistério (uma transcendência) na relação amorosa, que bloqueia a visão, o mais poderoso dos sentidos pra se conhecer o mundo (segundo Aristóteles). Então, vc não se dá a conhecer, pra mim, por mais que esteja perto, que fale... O que sei de vc, vem pelo sentido do tato, da olfação, da sensação térmica, da propriocepção e da dor. Sim. Por aí sei da imanência do amor, dele ser feito de fricção e contato, de beijo e posse. Coisas bacanas, mas que vão passar. O resto, o sobrenatural, não sei. Não sei que é, mas fica. Fica nessa saudade bem aqui, olha... lá...
Lá no céu e no cume das árvores natalinas... estrelas
Bj, amor
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