Meu querido W,
Tinha prometido não contar pra ninguém. Mesmo eu custo a acreditar que isso tenha acontecido... Cinco minutos de eternidade, talvez menos, antes do alarme do teu celular: "Tenho que buscar a minha filha". Não me surpreendo: a família está sempre com a gente... Numa família italiana, então, ela é você. Sempre. A qualquer momento. Não importa se você está na reunião com o CEO daquele contencioso milionário, intubando a traquéia numa hemorragia digestiva de um hepatopata vírus C ou na cama com seu amante.
E a gente estava. Terno ou poderoso, você fodia com tudo, e nessa hora concentrada, te pedi um beijo, que vc recusou. Moleca, resolvi roubar mesmo assim tua boca, teu queixo, teus mamilos, enfim, o que permitia minha força de supino com 20 Kg... Vc gozou logo depois, talvez com receio da minha próxima rebeldia. Teu corpo ficou inerte por um tempo, a respiração profunda e o prazer agonizando. Então aconteceu ou foi acontecendo. Te abracei, vc me puxou, aconchegou meu peito no teu, senti tua mão alisando os cabelos da minha nuca, envolvi com minhas coxas a tua, vertendo mel pro teu dragão tatuado... Coração arrepiado, eu menina disparava as escadas pro quintal da infância, pra ver o pássaro preto do meu avô, que ele alisava do mesmo jeito "Ô pêto!". O alarme tocou, engaiolei o choro, achei que vc não ia entender essa mulher que enquanto trepa perdoa o avô paisá...
Ou ia entender?
Se assim for, que vc venha. João subindo no pé-de-feijão mágico... Se assim não for, a história contada sai do sobrenatural e entra no ciclo das coisas mundanas, que nascem-crescem-morrem. Desço, deixo o pé de feijão e fico com a mágica...
Bj, liebling, te adoro
São pássaros. Alçam vôo qdo menos esperamos e pousam nos momentos mais inusitados. Acho que por isso os adoramos...
ResponderExcluir