Meu querido W,
A cigana passou. Por entre os carros, chegou (como você, por entre minhas pernas, meus argumentos, meus lábios). Pede meu olhar, trocado, mais do que esmola. Não dou.
Mas ao sorrir, um trejeito no canto da boca me cativou. Não os cabelos secos, as canelas grossas, as roupas, as roupas dela, um degradé de manchas (foi assim com você, que me capturou com o sorriso... e um certo terno costurado... quero tua ternura... então me rasgo). O sinal vai abrir... cigana, mostra esse pudor de novo... (E você, me dá seu gemido, aquele de um só instante espremido)
Abriu e ela sumiu. E de quem foi? Pra quem de amor ela se mostrou?
Tantos sorrisos pelo retrovisor, pela sarjeta, trazem de volta uma beleza de moça... Deu, deu seu presente (fluido quente como o que escorre entre minhas coxas) pra alguém? Deu tempo? E como saber?
Sweetie, me dei de presente pra você, e isso é mais forte que saber...
Bj, agora então sou tua
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