sexta-feira, 9 de março de 2012

Filme de cinema

Meu querido W,

Te escrevo pra dizer nada em muitas palavras. Ou melhor, pra dizer do nada em conjugações e adjetivos. Os substantivos são conhecidos: distância, afazeres, rotina. O diáfano nada, enfim.
Entre a saudade e o nada... entre a tristeza e o nada. Prefiro escrever. É uma opinião pessoal. Sou pessoa, afinal.
Escrever pra manter o mistério. Pra não discursar sobre o que não tem explicação (aquela rêverie que nos assalta). Estive ali, respirei fundo ao me inclinar, ele me olhava assim.
Assim como?
Apressado. Doido pra fugir. Querendo alívio, mas fazendo uma pose, pra disfarçar, claro. Só me olhava quando eu não podia ver... Mas o lugar tinha muitos espelhos. Então por vezes vi seu olhar de estranheza... por que essa mulher? A culpa, depois da saciedade, do gozo, da posse, do choro. Por que chora essa mulher? "Fiz mal", ele pensa. Pro Nelson, os homens "fazem mal" às mulheres quando as possuem fisicamente, pois o desejo em cena é cru e próximo à violação. Fica difícil então realizar amor e tesão no mesmo ato. O sexo fica bipartido. Uma mulher para amar, mas a distância. Outras pra amar com os sentidos, a respiração. A carne, afinal. E essa cisma é brutal. Quando entendi isso, fiquei com pena. Pras mulheres é só delícia... Amor é entrega, desejo é se abrir, sexo é acolher. Tudo converge. Amo com facilidade o homem que desejo. Fim da pequena digressão. Pra onde olha esse homem? Converge seu estrabismo e percorre minhas curvas, para no sexo, levanta a saia devagar. Quero que ele me toque e sinta minha vontade. Na respiração e na umidade. Que me segure pra que eu seja sua. Completamente. De todas as maneiras que as peles tem de se enroscar. Das misturas virarem espuma, do ritmo virar combustão. Do calor e depois dos sopros... A alma sai atarantada. Fim do pequeno filme.


o nada, E depois. O quinto círculo do inferno.
Ah! E o Rilke não tinha razão... Dá pra viver sem escrever "na hora mais sombria da madrugada"... Dá, sim. Mas é chato.

Bj, te adoro

quinta-feira, 8 de março de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Dia de sol (para o Rio de Janeiro)

espero que a chuva caia
a noite afunde
meu desejo, meu objeto
em gotas de ser tua (gostas?)
mexendo nas tuas costas
orla e colombina de entrega
canto e gemido de carne
(vermelha)
carnaval

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Diálogos

Vc pode ser sincero comigo, baby? Verdadeiro...
De qual verdade estamos falando?
Daquela que empurra tua língua pra dentro do meu sexo e meus dentes pro teu. Essa aí.

...

Só transar não tá bom?
Mas não é só... É durante, é a mistura, é um grude na alma, pro depois. Uma vontade...
De transar de novo.
Tem razão. É só, de sozinha...

...

Entre le chagrin et le néant, que choisis-tu?
Le néant.
Pourquoi?
Parce que le chagrin c´est déjà un compromis. C´est mieux de n´être rien.
Tu es con!
Tu es lâche...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

em memória

caminho sobre ti
a tua carne. ossos vértebras
vísceras. pele. macia solidez
em memória dos meus
(amores) pés

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tróia revisitada

começou por distração. depois contração. crispou a maxila junto a fronte do outro. em seguida, abrindo-lhe a mandíbula sugou sua língua demoradamente, até desmanchar em sangue. jatos, manchas, gritos, choro. e os dentes. abatidos, caindo como falanges gregas diante de troianos músculos masséteres. pausa. indistinta, a caverna escura traga um beijo fino e delicado. em nenhum momento se deve perder a educação.