quarta-feira, 27 de junho de 2012

O amor do boi

Tá chovendo aí? Chuva na pele, naquele pedacinho q sempre molha... 
e arrepia... me lembra vc
 
Vc sempre chegava igual. Passos macios, de gato. 
Cansado, se desfazia da mochila, do celular, da roupa, 
as palavras escapavam da boca displicentes, toda urgência 
concentrada no cume macio. Podia sentir tua pressa. A minha, 
feita do barro de respiração e desconforto, pelos e mamilos 
em corte lateral, na metade da luz, as contrações fortes 
entre as coxas. Vc me tomava com nonchalance, até, como se 
não houvesse aquela agudeza de momentum. Eu te satisfazia,
aplicadamente. Depois, não era mais a boa aluna. Fugia, permitia, 
dilatava espaços, curvas, meandros. Teu corpo tremia. Até que 
toda a pele ficasse delgada, o suor inundasse o beijo, a respiração 
ensurdecesse a mente. Meu calor misturava com o teu, minha alegria, 
minha tristeza, meus sonhos, teus ideais de bom moço, a porra 
que vc chamava de sujeira, o quarto de motel, o amor confinado 
e inconfessável. O amor do boi pelo abatedouro.
Ainda assim um amor delicado, que minha pele não esquece... 
Nem a chuva.
 
Bj, sweetie, nice shabbat
 
 
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