quarta-feira, 31 de agosto de 2011

bisonho

pois esse amor é assim, belo aos trapos,
aos traços (de audiência), ninguém nem viu (nem pode ver)
o amor escondido no segundo andar (do motel)
no terceiro molar (que já devia ter arrancado), do sizo
no quarto de paredes sem juízo
onde uma cama é um ringue
tem um amor de macaco
(cheiro gosto e tato)
como e entra o mundo, entras tu
meu amor bisonho
e dizes: duas vezes sonho...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Só hoje

Que demore
o que mora em mim
e não morre
o tempo da chuva:
as primeiras gotas, as do meio e as do final.
Só hoje.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Primatas

Meu querido W,

Se a gente fosse bicho, qual seria? Eu estaria viva? E vc?
Seríamos macacos-aranha, negros, de longos rabos? Ou doces muriquis ruivos? Eu teria uma cauda mais clara, grandes dentes, olhos acinzentados, e vc? Como te reconhecer?
Vc viria para meu bando ou eu iria para o teu? Vc me cheiraria antes? (Sim, macaco tem cheiro, não tem perfume!) No sexo, aonde mais? Eu fugiria pra bem longe, bem alto? Ou deixaria vc me pegar e me tomar completamente... na segurança da terra firme, sob os olhos dos outros, com um sorriso no rosto, só meu (já sou mulher? ainda não)... Então... cópula de quatro, sem beijo na boca, sem camisinha... já pensou? Respiro, vc pouco, geme, ainda...
Cansaço... volto pra casa, mas se for muito tarde, volto não, medo... fico naquele ramo, um pouco afastada dos outros, não sou dessa turma, alguns gritam, vc me olha de um enxergar tão negro... A noite.
Acordo faminta, vou descer... cadê meu rabo? Escorreguei, ralei a perna, e meu pelo? Agora desvirei, sou mulher de novo... Acordei tarde (sapiens... todos preguiçosos). Eles já se foram... Vc foi também, sua sina... Canoa, rio, a outra margem, o sino... Vou remando, agora lembro, vc é o de pelos cerrados, mas muito macios, alguns grisalhos, no peito, o olhar muito escuro, uma censura... ou quase. Engulo o café com minhas palavras perfumadas. Meu canto aqui é meu cheiro lá, na tua floresta. Vem me buscar ou... a última a chegar... é mulher do macaco!

bj, amor

terça-feira, 16 de agosto de 2011

graça

não
quero ser demais
nem de menos
dos mesmos 2 tic-tacs
nem pesada nem leve
suave, suada, sinuosa
sim
a graça on call,
plug and play
a ready made
no toxic waste
uma crina solta, ainda precisa
pra muito desafinar
a falsa modéstia
de tanto (te) querer

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

o que sou

bem não sei
o que sou
num átimo, palavra
num átomo, esquecimento
daqueles corpos graves
em movimento, precoces
execuções de sinfonia
íntima, roubo dobras
da tua pele iluminuras
de segredos, serpente
atenta e sensível
recolho em mim
de ti branda força
terna, o que sou
bem sabes

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A day in the life

Meu querido W,

Te conto, meu day in the life, mas não tudo... e vc não me conta, mas não nada. Nada pra perder de manhã, saindo atrasada, sem fazer a barba, esquecida dos anéis, da mochila de treino, sem amarrar o All Star... Chega e deixa o carro prata avec le valet, sobe e tomo a pílula de ficar lisinha, rosa by the way, vc olha seus juniores e se distrai, sou a rosa e o "sangue bom" então me comporto, me conforta vc no seu castelo, enquanto isso no forte Appache coloco máscara e luva, será que vai dar tempo? Vc voa alto rio Pinheiros and beyond, voo baixo, por entre as sondas, os eletrodos, perto da matéria humana mas nem tanto, já descubro, o lençol: na maca somos todos iguais... Tubo 8,5... ventilou!

Iguais ou diferentes, vc e eu?
Sem rotina, iguais... Vc dentro de mim, diferentes... Então não sou mais eu...
Seriam forma e substância (Aristóteles) ou uma clareira (Heidegger)? O que é? E o que será?

Um bj, de amor físico e metafísico