domingo, 26 de dezembro de 2010

O tesouro de Sierra Madre

Meu querido W,

Afinal eu te achei ou vc me achou?
De que mundo vc é e de que mundo eu sou?
Separados por 6 km, milhares de automóveis, portarias, crachás, sedas; várias camadas de poeira e dólares; aeroportos, dress codes, neoclássico e besouros. Minha fome, desejo, sede, pele clarabóia (de transparente), olhar marinho, speak low petite, mignon e mel, devaneio em português sem letreiro e volto pra vc. Uma interrogação ou uma entonação?
Fico ou parto já, nasço daqui a pouco, naquela vírgula ali, uma piscada ou minha bundinha empinada. Se a história começa pelo fim, só desejo de formas e contato, de carnes e de ato, não dou a volta de fato. Sinto teu abraço teso, boca mão pele atrito ereção e então... é minha-tua respiração.
E (re)começa assim. Por acaso. Abro o Estadão. Leio a nota, Mr. Gray, mais uma conde(esconde o tesouro do seu)coração...

Bj, corazón

sábado, 25 de dezembro de 2010

as flores do mato

I. Das flores que colhi
pra mais de uma
pensei em ti
(na rua úmida, pedra deslocada
canela arranhada).
Flor de chão, de rasgo,
de desnutrição
(seus cílios belos e comprimidos)
de coração engarrafado
na Marginal (que tenta
manter a correção).

II. No vaso, se enrijecem.
Meu bem, do mal
que tu fazes
elas nem percebem.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Venezas subcutâneas

Qto tempo é tb nenhum tempo. E sempre estamos ao relento, calor chuva e vapores, indefesos e briguentos.
Qto amor é pouco, qto amor é muito? Pequenos canais, capilaridades, Venezas subcutâneas. De séculos...
Instantânea. Estamos aqui. Mas não por muito tempo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Candura

queria
um encontro
entre nossas vestes
teu terno cinza
e meu jeans lavado

o que é sutil
o que é febril
o que tem turgor
e umidade

entre essas (o que tu
me) peças
faço com candura
que se demora em língua tépida
de bravura

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

sábado, 11 de dezembro de 2010

contato

Gosto de água na coxa
São poças, sem moças
Cem pernas que vc já afastou
devagar
com a mão, com tato
e aproximou intuição
silêncio e contração
ritmo e precisão dispersa
nessa mescla
vc me cabe e eu te sei

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Uma pensadora

"O céu é aonde termina o mundo.
O mar é aonde terminam as pessoas."

Jac, 3 anos, auto-proclamada Jacqueline Carvalho Honda da Silva Casco

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

da chuva cada gota

Fiquei ouvindo teu corpo
brotar lentamente
da chuva
cada gota um martelo passos apressados
meu peito no teu aproximado
mais ou menos calada
quero fugir quero ficar
no teu encanto
de sereia sou parte
desejo não dói, arde

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Coca ou guaraná?

Meu querido W,

Canto pra vc. Um canto pra 2. Um quarto de hora, 2, no máximo.
Com espelho é melhor? Nesse quarto, fechado, vc me abre... pro mundo... Uma latinha de refri? sou doce... serei gelada? Meu beijo faz cócegas na tua língua? Minha pegada te faz tremer. Vc vai convulsionar?
Calma, controle, vira a lata...(Sou tua cadelinha?)
Então vc me sorve, me morde, me penetra, me amassa, com o ritmo da semeadeira (não respiro, só vibro), gozo e gosma que virão. Sinto teu tesão, fecho mais estreito aperto... até que...
Ainda quero teu beijo (entre tanto espasmo) sobrou uma gota na latinha... Vai pro esôfago (é do lado direito do coração). É lá que eu fico, até o próximo espocar de tampinha, minha coroa de rainha.

Bj, te quero